Lourdes estava preocupada.
Gregório não a visitou na noite anterior e até àquela hora do dia não tinha nem ao menos telefonado. Sentia que algo de estranho estava acontecendo.
A campainha toca.
- Ah, é você Lucia! Desculpe-me pela surpresa, mas pensei que era o Gregório. Sabe, ele não deu notícias e estou um pouco preocupada. Mas... senta aí – disse Lourdes apontando para o sofá, sem notar a expressão de sua irmã.
- Você não precisa se preocupar com o Gregório, não, Lourdes. Ele está muito bem – disse Lucia com um tom sarcástico na voz.
- É? Você falou com ele hoje? Onde ele está?
- Falei sim. Mas não só hoje. Nós conversamos a noite inteira...
Um silêncio absurdo varreu a sala enquanto Lourdes tentava entender o que a irmã estava falando.
- Como assim, a noite inteira? – com a voz trêmula demonstrando insegurança.
- Estivemos juntos, Lourdes. Juntos a noite inteira. Ele me convidou para sair, bebemos um pouco de vinho e depois fomos para a cama.
Sua maneira de falar, ao contrário da de sua irmã mais velha, era segura e enfática.
Lucia foi muito ligeira!
Ela sabia que Gregório iria procurar Lourdes e contar tudo. Um homem de caráter como ele não deixaria esta história ir mais adiante. Sua idéia era pegá-lo de surpresa, não dar tempo a ele.
Lourdes precisou sentar de tanto que suas pernas tremiam. Aquela revelação desmoronou seu castelo. Não era possível, como ele foi capaz de fazer isto com ela.
- Há quanto tempo vocês vêm mantendo este romance. Com a voz tremula perguntou Lourdes.
- Me diga. Agora quero saber de todos os detalhes Lucia. Vamos diga, diga...
Lucia não perde a classe. Manteve-se sentada com toda a elegância. Só começa a falar depois de se ver no seu pequeno espelho de seu porta-batões.
- Lourdes. Eu venho há muito tempo dizendo para o Greg...
- Greg!... Com a voz embargada Lourdes leva as mãos aos olhos na tentativa de reter as lágrimas que já começavam a deslizar em sua face.
- Acalme-se minha irmã...
- Não venha com esta de minha irmã. Você está roubando de mim o homem que eu amo! Grita Lourdes.
Cinicamente Lucia se levanta, pega a bolsa e, com um pequeno aceno despede-se da irmã, deixando-a em prantos.
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