Tudo aquilo havia acontecido a tanto tempo que parecia apenas a lembrança de um conto de terror de Edgar Alan Poe.
O que se seguiu após a morte de Lúcia foi uma seqüência de episódios que, como um rolo compressor, passou por cima de Gregório e o efeito foi avassalador.
A polícia descobriu que pelas marcas encontradas no corpo de Lúcia na autópsia, o assassino só poderia ser um homem e todas as suspeitas pairaram sobre Gregório.
Uma série de fatos e um advogado incompetente levaram-no para a penitenciária estadual onde ficou preso por cerca de trinta anos.
Ao sair, sua vida havia praticamente acabado e só lhe restava esquecer o passado e começar uma vida nova.
Mas a presença de Lourdes em sua casa abriu aquelas feridas que apesar de cicatrizadas ainda doíam.
A morte de Lúcia ainda era um mistério para ele. O verdadeiro assassino nunca fora encontrado e Gregório já estava resignado em descobrir a verdade.
Porém Lourdes chegou com uma notícia que ele não esperava. A notícia que nunca mais ele ficaria sozinho, pois havia agora em sua vida Lúcio, seu filho. Sim, seu filho herdara o nome de sua tia, como uma lembrança de nada poderia ser esquecido.
Lourdes estava grávida quando Gregório fora preso, mas nunca lhe contou. Não queria que seu filho soubesse que seu pai estava preso acusado de assassinato.
Agora, esparramado em sua velha poltrona, Gregório descobria que era pai e que ainda havia motivos para viver e mais: aquela velha obsessão em descobrir o assassino de Lúcia voltava à tona com toda a força. Era para ele questão de vida ou morte descobrir quem, matando sua cunhada, acabara com sua vida o deixando separado da carne de sua própria carne, do sangue de seu sangue por tanto tempo.
Mas esta é uma outra história...
FIM
Aqui é o final do conto.
Espero que tenha acompanhado e gostado.
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Grande Abraço,
Eduardo Lesnok e F. Fernandes