sábado, 26 de dezembro de 2009

Um homem acordou de mau humor naquele lindo dia de primavera (IV)

Gregório engoliu seco o restante de vinho que tinha em sua taça, na esperança de aliviar sua tensão, mas foi uma tentativa frustrada, pois quase se engasgou, tendo que solicitar ao garçom mais uma taça.
Lucia rapidamente disse que o acompanharia com o vinho, deixando Gregório mais embaraçado, pois não era normal uma mulher beber em público, mas Gregório não estava em condições de contestar coisa alguma.
A voz macia de Lucia o hipnotizava, cada vez mais a situação fugia de seu controle, até que Lucia lhe pôs em “xeque”:
- Então, Greg, por que, enfim, você marcou este encontro?
Greg? Ela disse Greg? Até mesmo Lourdes só o chamava de Gregório. Somente seus amigos mais íntimos se dirigiam a ele daquela forma. Isto era um mau sinal. Ela tinha ido direto ao ponto e o deixara sem chão.
- Sabe, Lúcia, sabe como é, eu... Eu precisava conversar com você sobre um assunto...
- Vamos. Fale Greg. Por que está tão reticente? Você não é assim... – disse Lúcia com um sorriso malicioso.
- Lúcia, não sei se estou confundindo as coisas, mas sabe, eu amo muito sua irmã e tenho sentido que você... Como posso dizer? Você...
- Estou dando em cima de você. É isto mesmo. Você tem razão. Greg, não posso me conformar que você esteja apaixonado por minha irmã. Ela não lhe merece. Eu é quem sou mulher para você.
Pronto. Agora não havia a menor sombra de dúvida. Realmente o pior acontecera. O impacto das palavras dela chegou a ele como um soco no peito. Quase sem fôlego e percebendo a gravidade da situação e já prevendo onde aquilo poderia chegar, Gregório decidiu dar o contra-ataque.
- Lúcia, eu quero deixar uma coisa bastante clara para você. Eu AMO a sua irmã. É com ela que vou casar e com ela vou viver até o resto de minha vida. E Lourdes sente a mesma coisa. Nada nem ninguém vai impedir a nossa felicidade. Peço a você encarecidamente que pare com esta brincadeira sem gosto. Você está parecendo uma menininha que quer a bonequinha da irmã mais velha. Isto não é uma brincadeira nem um joguinho de crianças, Lúcia. Desista. Nada nem ninguém vai me fazer separar de sua irmã, muito menos você.
Agora quem acusava o golpe era Lúcia. A expressão terna e sensual de Lúcia se transformou em uma máscara vermelha de ódio. Seu olhos ficaram injetados de sangue e, sem se importar com as pessoas que estavam em volta, ela deu um murro na mesa tombando as taças de vinho.
- Você será meu Gregório. Ouça o que estou falando e grave nesta sua mente. Você será meu. – gritou a bela mulher levantando-se e correndo para fora do café.
Pasmo! Este foi o estado que Gregório ficou com a atitude de Lucia. Ele nunca imaginou que ela teria esta reação e principalmente da maneira agressiva como fez.
Os olhares em sua direção o deixaram ainda mais inibido. Suas mãos tremiam tanto que quase não foram capazes de levantar as taças de vinho caídas. As marcas deixadas pelo vinho caído sobre a toalha branca, simbolizavam perfeitamente a raiva e agressividade de Lucia.
Como ficaria o seu relacionamento com Lourdes sabendo ele agora das intenções de Lucia? Esta era a pergunta que não parava de açoitar a sua mente. Sem olhar para os lados, levantou-se, dirigiu-se ao caixa, pagou sua conta e saiu.

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