terça-feira, 28 de abril de 2009

Sunitas e Xiitas

Quem leu o livro “Em Busca da Vera Cruz – A saga de um Templário” viu que um dos principais personagens da história é um árabe da seita dos Assassinos. Tenho sido questionado quanto à veracidade desta seita, então resolvi falar um pouco sobre ela.
Mas antes, para um maior entendimento, preciso comentar sobre o início do Islamismo e as suas facções Sunitas e Xiitas.
O Islamismo foi “restaurado” (Maomé dizia que tinha vindo para restaurar a verdadeira religião indicada por Deus a Abraão e que tinha sido distorcida por judeus e cristãos) pelo profeta Maomé na primeira metade do século VII d.C. na Península Arábica. Em cerca de cem anos a religião muçulmana já estava disseminada por toda a Península Ibérica, pelo o norte da África, pelo Oriente Médio chegando até a Índia.
Maomé não teve filhos homens e sim uma filha, chamada Fátima. Aqui vem uma curiosidade: um dos maiores centros católicos do mundo dedicados a Nossa Senhora é a cidade de Fátima em Portugal, nome da filha de Maomé. Como não tinha um filho, Maomé não deixou indicado um sucessor encarregado para liderar a nova religião que se formava e aí, desde o seu princípio, começou a rivalidade entre as duas principais facções do Islamismo: o sunismo e o xiismo.
Como a morte do profeta, seu sogro Abu Bakr (632-634) assumiu a liderança muçulmana como o primeiro Califa (líder religioso considerado sucessor de Maomé). Todavia, a filha do profeta, Fátima, era casada com Ali e com ele tinha dois filhos Hassan e Hussein, que, por direito de sangue, deveriam assumir no futuro a liderança da nova religião. Descontentes pela liderança de Abu Bakr, os partidários de Ali se revoltaram. Apesar desta secção, apenas Abu Bakr foi considerado califa.
As sucessões de califas foram acontecendo, conforme os califas anteriores morriam. Somente no ano de 656 Ali, o genro de Maomé, foi eleito califa, sendo considerado o 4º pelos Sunitas e o 1º pelos Xiitas, estabelecendo seu califado em Bagdá. As relações entre as facções eram turbulentas e Ali foi assassinado em 657 ficando o posto disponível para o seu filho Hussein. Uma revolta, porém, impediu a posse do neto de Maomé. Hussein então se insurgiu contra a nova liderança e durante uma batalha ele foi morto e esquartejado em Kabala. Esta morte provocou horror entre os muçulmanos, pois o neto do Profeta havia sido assassinado. Por isso os Xiitas relembram o Ashura, o dia em que o neto do profeta foi assassinado, fazendo rituais de auto-flagelação. Estavam assim formadas as duas principais facções do Islamismo: os Sunitas, seguidores da corrente islâmica ligada à Abu Bakr e seus sucessores e os Xiitas sucessores de Ali e Hussein.

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