Domingo era o dia.
Acordávamos cedo, o que era profundamente um absurdo em se tratando de nossa família, e íamos até a casa da minha avó para pegá-la.
Destino: Quatinga – pequenina cidade no interior de São Paulo, logo após Suzano.
Objetivo: Encontrarmos um bom lugar para pescar e fazer um pic-nic.
Comprávamos carne no açougue perto de casa e os pãezinhos em Suzano, logo antes de pegarmos o “caminho da roça”.
A estradinha de terra que ligava Suzano a Quatinga era repleta de riachos de água muito fria e cristalina. Ao encontrar um veio d´água meu pai pedia para a minha mãe parar o carro para ele dar uma olhada. Isto mesmo, a motorista da casa era a minha mãe. O velho Geraldo nem ao menos tinha carteira de motorista.
Bem, voltando ao rio, ele ia até as suas margens e começava a fazer a “prospecção” em busca de alguns lambaris.
O método de meu pai era bem simples e eficiente: ele pegava alguns pedaços de pão e os esmigalhava em suas mãos transformando-o em uma espécie de farelo e logo após jogava no rio. A cena que se seguia era quase que surreal: a água começava a borbulhar, como se estivesse fervendo, devido ao movimento dos peixinhos.
Daí meu pai falava: “É aqui mesmo que vamos ficar”.
Então todos descíamos para a beira do rio e lá montávamos toda a nossa infra-estrutura: cadeiras, varas de pescar, caixa de isopor com refrigerante e, claro, a churrasqueira. O lugar onde “queimávamos” a carne era bem “tecnológico”: algumas pedras juntadas na beira do rio servindo como base, o carvão e uma grelhazinha.
Era uma festa. Minha irmã, então bem pequenina, ia atrás do meu pai para todos os lugares. O velho nunca ficava no mesmo lugar e cada vez mais ia entrando na mata em busca de um bom pesqueiro e lá atrás dele ia a Lucianinha. Um dia meu pai estava se embrenhando na mata quando deu um grito de alegria: “Olha aqui, que legal”. Quando eu olhei para ele a minha irmã já estava quase em cima para ver o que ele estava vendo. De repente ele ergueu a varinha de bambu que estava em sua mão e em cima dela estava uma cobra verde. As reações foram diversas. Minha mãe começou a gritar. Minha irmã a bater palma. Eu fiquei petrificado com a cena. Minha avó a dar bronca em seu filho: “Geraldinho, pelo amor de Deus, sai daí já. Esta cobra vai te picar” E meu pai? Meu pai com aquele brilho nos olhos, parecendo um moleque de dez anos de idade, só gargalhava. Bem, graças a Deus nada de mal aconteceu e a cobra, mais assustada que nós, fugiu para o meio da mata buscando um lugar seguro.
A minha diversão era ficar ao lado de minha avó. Quando não estávamos pescando, estávamos desbravando o matagal em busca de samambaias e outras plantinhas que ela adorava. Eu me sentia o próprio Indiana Jones até que um dia nestas excursões “Em Busca da Planta Perdida” eu dei um passo em falso e fui cair em um lago. Coitada da vó Maria. Ela começou a ficar desesperada e não havia ninguém para ajudá-la a me tirar do rio. Como eu nadava bem, não tive problemas quanto a afundar ou me afogar. O problema era subir o barranco lamacento e sem algum ponto para me agarrar. De repente a D. Maria desapareceu e ressurgiu com um pedaço de tronco que ela apontou em minha direção. Eu me agarrei e aquela senhora com mais de setenta anos de idade me puxou com uma força surpreendente. Chegamos ao ponto onde estavam todos em meio a muitas gargalhadas. E todos entraram na risada depois de ouvirem a nossa história.
De todos, quem menos curtia a situação era a D. Alzira, minha mãe. Ela odeia insetos e morre de pavor de cobras. Ela ficava um pouquinho com a gente, mas depois ia para o carro, para evitar problemas.
Ao final do dia nós recolhíamos todas as nossas tralhas e o balde com lambaris capturados e voltávamos todos felizes, cansados e sujos para a nossa feliz vida em São Paulo.
Finais de semana como estes são inesquecíveis para mim e toda vez que penso nisto, e mesmo agora terminando este texto, uma gota de lágrima corre por meu rosto.
Destino: Quatinga – pequenina cidade no interior de São Paulo, logo após Suzano.
Objetivo: Encontrarmos um bom lugar para pescar e fazer um pic-nic.
Comprávamos carne no açougue perto de casa e os pãezinhos em Suzano, logo antes de pegarmos o “caminho da roça”.
A estradinha de terra que ligava Suzano a Quatinga era repleta de riachos de água muito fria e cristalina. Ao encontrar um veio d´água meu pai pedia para a minha mãe parar o carro para ele dar uma olhada. Isto mesmo, a motorista da casa era a minha mãe. O velho Geraldo nem ao menos tinha carteira de motorista.
Bem, voltando ao rio, ele ia até as suas margens e começava a fazer a “prospecção” em busca de alguns lambaris.
O método de meu pai era bem simples e eficiente: ele pegava alguns pedaços de pão e os esmigalhava em suas mãos transformando-o em uma espécie de farelo e logo após jogava no rio. A cena que se seguia era quase que surreal: a água começava a borbulhar, como se estivesse fervendo, devido ao movimento dos peixinhos.
Daí meu pai falava: “É aqui mesmo que vamos ficar”.
Então todos descíamos para a beira do rio e lá montávamos toda a nossa infra-estrutura: cadeiras, varas de pescar, caixa de isopor com refrigerante e, claro, a churrasqueira. O lugar onde “queimávamos” a carne era bem “tecnológico”: algumas pedras juntadas na beira do rio servindo como base, o carvão e uma grelhazinha.
Era uma festa. Minha irmã, então bem pequenina, ia atrás do meu pai para todos os lugares. O velho nunca ficava no mesmo lugar e cada vez mais ia entrando na mata em busca de um bom pesqueiro e lá atrás dele ia a Lucianinha. Um dia meu pai estava se embrenhando na mata quando deu um grito de alegria: “Olha aqui, que legal”. Quando eu olhei para ele a minha irmã já estava quase em cima para ver o que ele estava vendo. De repente ele ergueu a varinha de bambu que estava em sua mão e em cima dela estava uma cobra verde. As reações foram diversas. Minha mãe começou a gritar. Minha irmã a bater palma. Eu fiquei petrificado com a cena. Minha avó a dar bronca em seu filho: “Geraldinho, pelo amor de Deus, sai daí já. Esta cobra vai te picar” E meu pai? Meu pai com aquele brilho nos olhos, parecendo um moleque de dez anos de idade, só gargalhava. Bem, graças a Deus nada de mal aconteceu e a cobra, mais assustada que nós, fugiu para o meio da mata buscando um lugar seguro.
A minha diversão era ficar ao lado de minha avó. Quando não estávamos pescando, estávamos desbravando o matagal em busca de samambaias e outras plantinhas que ela adorava. Eu me sentia o próprio Indiana Jones até que um dia nestas excursões “Em Busca da Planta Perdida” eu dei um passo em falso e fui cair em um lago. Coitada da vó Maria. Ela começou a ficar desesperada e não havia ninguém para ajudá-la a me tirar do rio. Como eu nadava bem, não tive problemas quanto a afundar ou me afogar. O problema era subir o barranco lamacento e sem algum ponto para me agarrar. De repente a D. Maria desapareceu e ressurgiu com um pedaço de tronco que ela apontou em minha direção. Eu me agarrei e aquela senhora com mais de setenta anos de idade me puxou com uma força surpreendente. Chegamos ao ponto onde estavam todos em meio a muitas gargalhadas. E todos entraram na risada depois de ouvirem a nossa história.
De todos, quem menos curtia a situação era a D. Alzira, minha mãe. Ela odeia insetos e morre de pavor de cobras. Ela ficava um pouquinho com a gente, mas depois ia para o carro, para evitar problemas.
Ao final do dia nós recolhíamos todas as nossas tralhas e o balde com lambaris capturados e voltávamos todos felizes, cansados e sujos para a nossa feliz vida em São Paulo.
Finais de semana como estes são inesquecíveis para mim e toda vez que penso nisto, e mesmo agora terminando este texto, uma gota de lágrima corre por meu rosto.
Porque a vida é cheia de boas recordações e deliciosas gargalhadas.
ResponderExcluirO Sr Geraldo, meu tio, infelizmente nunca o cheguei a conhecer pessoalmente, mas desfruto das tuas memórias e faz-me viver esse doce dia de Domingo, que tão bem conheço.
Nós ao domingo também iamos todos passear e estender a toalha de xadrez no chão.. refastelados na relva e a brincar uns com os outros.. não existe nada melhor no mundo.
Tio sei que me lês e que me ouves, por isso dou-te um grande beijo.